Alguns livros marcam a gente. Outros, sequer nos lembramos de ter lido - se bem que isso nunca me aconteceu. Talvez pelo fato de nunca ter lido algo que não quis ler além do que fui obrigado pelo trabalho de conclusão de curso.Ainda assim, tais livros tiveram sua serventia passageira, apesar de eu nunca ter conseguido incluir Pierre Levý em uma discussão que não fosse enfadonha com um teórico qualquer...
Mas, esse texto é para falar de livros que valem a pena e desta feita quero abordar o excelente "Cem anos de solidão", do genial Gabriel García Márquez, que estou lendo pela segunda vez - e esta está sendo ainda melhor que a primeira.
Acompanhar a história da família Buendía, decifrar sua árvore genealógica, traçando um mapa na cabeça para não se perder na teia de personagens criada pelo autor (afinal, são 22 personagens chamados Aureliano - sem contar os Arcádio). É um trabalho de imaginação exigente, encontrado em poucas obras da literatura mundial.
Cem anos de solidão é, talvez (e sempre na minha humilde opinião), o livro mais quimérico da literatura latino-americana, quiçá da lingua espanhola - excluindo-se desta última lista "Dom Quixote", do também gênio, Miguel de Servantes, ou desde este, incluindo Jorge Luís Borges, mestre do fantástico.
Afinal, em que outro livro pode se encontrar tanta diferença e tanta coincidência em seus personagens? Ou mesmo presenciar uma chuva de flores ou borboletas amarelas que seguem a beleza de uma mulher? Ou ainda 32 guerras e incontáveis histórias de amor?
Mas a grande sacada do livro é enxergar além dos personagens para entender o círculo de previsões, histórias que se ligam e acontecimentos que nos levam do começo ao fim e novamente ao começo. Coisa que na segunda leitura torna-se muito mais fácil.
Vale a pena ler... mais de uma vez.

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